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    Há doze anos atuando no apoio a mulheres com câncer de mama, o projeto “Conversações Amorosas”, realizado pelo Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, oferece um espaço de convivência e diálogo para que, não só os pacientes, como também seus familiares, possam falar sobre a doença e o que mudou em suas vidas a partir do diagnóstico de câncer.

    Segundo a psicóloga responsável, Tânia Madureira Dallalana, a troca de informações e sentimentos promovida pelo projeto permite que experiências individuais sejam compartilhadas pelo grupo, servindo também como relatos de motivação e inspiração para o tratamento.

    Se você está lutando contra o câncer ou conhece alguém que está passando por essa situação, confira abaixo os relatos de mulheres que participam do “Conversações Amorosas” e saiba como elas conseguiram vencer a doença. Não deixe de conhecer também as entidades de apoio que o portal

    T. Todos os anos eu fao exames gerais. No ano passado, fazendo um exame, foi encontrado um tumor na mama. Fiz uma cirurgia e no perdi a mama. muito importante fazer o exame anualmente.

    A. Em outubro de 2003, fiz um exame de rotina que diagnosticou o carcinoma na mama direita, que precisava ser retirada. Quando temos que lidar com as nossas prprias dores, ficamos sem ao, mas tive muito apoio dos colegas de trabalho e mdicos, dos filhos e do marido, foi pssimo para ele, ainda hoje continua confuso e j estamos em 2007. Considero-me uma vencedora porque a cada dia vejo que Deus est me dando mais uma chance de vida. No momento, meu esposo que refazer nosso casamento, ele est se esforando, as coisas que me magoavam, coisas que ns dois no estvamos conseguindo fazer por falta de dilogo esto sendo mudadas, ns merecemos uma chance. Em dezembro completamos 29 anos de unio, os filhos casaram e esto comeando suas vidas. S o pai continua da moda antiga, muitas coisas no evoluram e com os filhos ele continua duro. Em parte, tento entender. Chega um momento em que precisamos dizer no para certas coisas, principalmente a quem amamos. Dizer a verdade o melhor remdio. (...) Mas h situaes em que a prpria pessoa tem que tomar atitude. Estou tomando essa atitude, revivendo tudo e todos os momentos da melhor forma possvel, em casa com meus filhos, meu primeiro neto e minha aposentadoria que j saiu. Hoje um novo dia para nunca perder a f, a esperana e o amor.

    L. Descobri que tinha cncer em maro de 2005, quando comecei a fazer exames e a bipsia, mas s conclui que estava mesmo com a doena em agosto daquele ano. At essa data, eu achava que no ia ser nada, mais depois do exame positivo, eu chorava, tinha medo de morrer e de deixar minha filha sozinha. Com a ajuda de Deus e muitas oraes, fiz a cirurgia, certa de que nada de mal iria me acontecer e realmente foi tudo perfeito. Aps a cirurgia que eu comecei a me sentir triste. Tenho ajuda da psicloga, do psiquiatra e a nossa reunio nos ajuda muito na realidade a ajuda fundamental, pois toas ns do grupo temos os mesmos problemas, as mesmas ansiedades, choramos por qualquer coisa, e no grupo nos ajudamos bastante. Enfim, h dias em que estou bem, outros em que estou triste, choro muito, sofro por coisas que nem sei o que . Consigo sobreviver a isso tudo, primeiro com a graa de Deus, com a ajuda dos familiares, dos amigos e da nossa reunio.

    S. H muitos anos, antes de 2005, eu tinha dores fortes pelo corpo todo, nos braos, eu no podia nem estender uma roupa no varal que sentia muita dor e pontadas no peito esquerdo. Eu achava que as dores eram s dos nervos, pois enfrentava problemas com a filha adolescente, quem criei sozinha. Achava tambm que poderia ser um desconforto provocado por problemas financeiros, pois o financiamento da casa j estava atrasado h trs anos. Decidi vender minha casa e minha lojinha de presentes, paguei todas as dvidas e fui morar de aluguel, achava que todos os problemas estavam resolvidos e que iria comear uma nova vida. Infelizmente, comecei uma nova vida sim, mas no foi do jeito que esperava. Nesse mesmo ano, em outubro, comecei a sentir fortes dores nos dois seios, mas achava que no era nada, pensava que tinha a ver com os anticoncepcionais que eu havia parado de tomar. Foi quando em uma noite, ao deitar, senti uma bola enorme no meu seio esquerdo, que doa muito . Comentei com minha filha e decidi ir ao mdico, o resultado foi que havia um cisto hemorrgico e o mdico que me atendeu disse que eu precisava consultar urgentemente um mastologista. Assim comeou minha nova vida, na verdade, a minha luta por ela. Voc sempre pensa que o pior no vai acontecer com voc, s com os outros, mas nessa hora que voc v como est a sua f, se esta prxima de Deus ou se no consegue se aproximar com toda fora, pedindo a Ele que segure sua mo e no largue at superar tudo.

    Bem, como se no bastasse ou por milagre de Deus, minha filha engravidou aos 17 anos. Eu j estava desconfiada, mas ela negava. Meu genro veio me contar e disse que ia assumir a criana. Logo, ele veio morar conosco, eu estava em estado de choque, no acreditava no que estava acontecendo, mas dei apoio, pois eu havia passado pela mesma situao aos 21 anos, sendo que no fiquei com o pai dela. Estava ali diante da gravidez da minha filha e de uma doena, sem saber a proporo do que viria pela frente durante o tratamento. Quando o mastologista disse que o resultado tinha sido positivo, que eu estava realmente com cncer e que teria de fazer quimioterapia, radioterapia e cirurgia, senti que eu sa do meu corpo e fui at o teto, vi os mdicos dizendo que iria dar tudo certo, minha filha estava comigo, chorando no cantinho da sala.

    Cheguei a expelir quatro pedras dos rins no dia em que recebi o resultado. Com isso, comeou a maratona, no acreditava que o cabelo iria cair, mas, infelizmente, isso comeou no dia treze aps a primeira quimio. Consegui uma peruca, s que loira e eu sou morena, porm todos os meus amigos acharam que ficou bem, no sei se foi s para me agradar.

    Durante o tratamento tive altos e baixos, dias em que comeava a chorar e no conseguia parar, mas da chegou minha netinha. Parece que entrou um anjo em minha casa, sempre que estava com muitas dores eu a chamava, pensava que logo estaria boa e que teria minha neta para poder brincar e me distrair.

    Enquanto estava fazendo quimio, minha me estava ao meu lado, mas teve que ir embora. No perodo da radioterapia, eu ia para o tratamento ora com minha filha, ora com minha av ou com uma tia, que chegou a tirar uma semana de frias para me levar. Mas, s vezes, no havia ningum para ir comigo, a vinha o desespero, comeava a chorar de repente. Na rua, sentia uma sensao de abandono. Sozinha, tendo que pegar nibus lotado, onde as pessoas no sabem o que voc esta passando e muitas vezes esto vendo voc passar mal, mas nem perguntam se precisa de ajuda.

    Tudo isso enfrentei com a ajuda da minha famlia e dos meus amigos. De vez em quando, no tinha vontade de sair do quarto, minha filha aparecia e dizia: Levanta me, olha que dia maravilhoso!. Aos poucos, estou conseguindo me levantar, pois antes era uma pessoa que batalhava, criei minha filha sozinha, sem medo de nada. Penso que no devo me entregar, pois temos que, em primeiro lugar, quando nos deparamos com situaes em que ns somos o protagonista, lutar, acreditar em Deus principalmente e dizer que uma doena que no estava no nosso corpo, que nunca nos pertenceu, no pode nos derrubar. No fcil passar por tudo isso, s vezes voc pensa que jamais ir voltar a ser a mesma pessoa ou parecida com o que era antes, mas devemos lutar, porque a vida continua.

    T. Tudo começou em agosto de 2006. Fui fazer um check-up e a médica perguntou: “Você já fez mamografia alguma vez “? Eu disse que não, então ela fez a requisição para o exame , que foi feito em 07/08/06. Quando fui buscar o resultado no dia 14 daquele mês, estava no ponto de ônibus e resolvi abrir o exame. Resultado: Suspeito para malignidade de 95% na tabela BIRADS 5. Fiquei sem chão pois, em maio de 2006, minha filha de 6 anos tinha acabado de terminar as quimioterapias depois de 2 anos e meio de luta para a cura da leucemia. Primeiramente, pedi mais forças para Deus, levantei a cabeça e disse: Venci uma luta, vou vencer mais uma, tenho duas filhas para criar, inclusive, uma adolescente, não posso cair, sou pai e mãe, “ o alicerce”, sei que foi difícil, mas superei, sabe por que? Deus é maior que tudo.

    No dia 6/11/2006, fiz a mastectomia e a reconstrução pelo abdômen. Foram nove horas de cirurgia. Quando recebi alta, saí de cadeira de rodas com dois drenos, parecia um pesadelo, mas sempre com esperança, otimismo e fé. Hoje tomo um medicamento que devo tomar por 5 anos, o tamoxifeno. Deus me deu um presente: Não precisei fazer quimio nem radioterapia, e o mais importante, meu deu a cura! Continuo em acompanhamento na cirurgia plástica para reparação da mama, controle na hematologia e na mastologia a cada três meses, todos os exames estão ok. Quero aproveitar e fazer um agradecimento a todas as pessoas que me ajudaram: família, amigos, através de orações e de força, e agradecer toda a equipe médica pela competência, dedicação e humanidade. Deus nos envia anjos sempre na hora que precisamos. Você, que está agora lendo este depoimento não desista, não desanime, lute, tenha fé, seja qual for o problema, acredite na força divina! O que aconteceu comigo, não foi por acaso foi para te ajudar .

    M. Em setembro de 1998, eu soube que estava com um câncer de mama. Era um nódulo bem pequeno, de menos de 1,5 cm na mama esquerda. No dia 30 de novembro do mesmo ano, fiz a cirurgia e autorizei uma mastectomia radical, deu tudo certo. Não precisei fazer quimioterapia e nem radioterapia. Hoje, nove anos depois, estou bem, não tive depressão, e nem chorei pelo problema. O que eu queria na época era viver para ver minha neta nascer e poder passar mais tempo com ela. Quando a gente recebe a notícia que tem uma doença grave, como o câncer, sente o chão sumir debaixo dos pés. Depois, a gente coloca a cabeça no lugar e quer fazer de tudo, só pensando em viver a vida com qualidade. Vivo feliz e hoje faço tudo o que gosto, saio bastante de casa para conversar com as pessoas, para não lembrar do que eu passei na época. Graças também aos encontros do grupo e às trocas de experiências com as outras mulheres que também tiveram doenças iguais. Eu estou bem e vou levando a vida feliz e alegre.

    L. Eu soube que tinha a doença em março de 2005. Nesse momento, faltou espaço no mundo, parece que eu estava em um mundo irreal. Continuei com minhas atividades normais, preparei toda a documentação, chorando durante a noite e quando as pessoas não viam. O meu apoio foi a Igreja, fiquei em silencio até o dia 18/06/2005, quanto contei sobre a doença porque houve uma reunião em minha casa e duas pessoas que amo muito estavam lá. A cirurgia foi em 19/06/2005, a recuperação foi sem transtornos e continuei chorando por qualquer coisa, achando que a vida não tinha mais sentido, me sentindo velha e inútil. Perdi a capacidade de sonhar e fazer projetos, achando que a vida não tinha mais jeito. Logo depois da cirurgia, já estava fazendo radioterapia e comecei a freqüentar as reuniões. No inicio, não gostei, mas aos poucos fui gostando e as orientações foram me ajudando, tirei forças das situações que as colegas de grupo enfrentaram, também percebendo a melhora delas, o que me motivou a continuar lutando. Hoje a luta continua, fiz cursos, vou à Igreja e venho às reuniões. Descobri a revista Viver, que comenta bastante sobre maturidade, e como as pessoas se superam. Isso também está me dando forças. Ainda não tenho nada de concreto na minha vida, tenho dificuldade para me relacionar, mas já percebo que existem muitas coisas que posso fazer. Estou lutando, indo atrás e tenho esperanças de dar um rumo melhor e mais feliz para minha vida e das pessoas que me cercam. Também tento reverter os efeitos negativos que a radioterapia deixou, através da medicina e de tratamentos alternativos. Meu lema é reverter o que pode ser revertido e aceitar o que pode ser mudado..

    M. Meu problema começou há muitos anos, eu era uma mulher feliz, tinha tudo perfeito, na minha saúde e na minha vida familiar. De repente, comecei a ter febre, então fui ao médico. Descobri que tinha pouco tempo de vida, meu mundo acabou. Sofri, chorei tudo que se tem para chorar, mas prometi para mim mesma, essa doença não vai me matar. Comecei a lutar, sou uma ótima paciente, faço tudo certinho, começando pela alimentação. As minhas amigas tinham pena de mim e comentavam: ‘Ela vai morrer’. Fui abandonada pelo homem que tinha, fui rejeitada de todo jeito. Sofri muito, mas lutei, trabalhei com afinco. Meu problema agora é trocar minha prótese, mas vou chegar lá. O modo de vida que levamos e a alimentação são muito importantes. Não fumo, não bebo, como muitas verduras e frutas e meu pensamento é só um : eu vou viver.

    L. Em abril de 2006, minha vida deu uma guinada. Levei dez anos para conseguir um emprego e, quando consegui, apareceu a doença. Um dia trabalhando, senti uma dor queimando no peito, fui ao posto de saúde e os médicos falaram que eu poderia estar enfartando. Eles tentaram me manter no posto para fazer um exame, a contagem de enzimas, que levava, em média, 15 horas, mas não havia remédio para o exame. Assinei um papel me comprometendo a ir ao posto novamente e solicitar o exame. Como sou cobradora de ônibus, meus horários dificultavam minha ida ao médico. Após duas semanas, voltei a sentir novamente a dor, fui para casa e, naquela noite, dormi com a mão sobre o peito. Quando acordei, senti uma coisa dura e doída na mama direita. Levantei bem cedo e fui procurar recursos médicos para saber o que estava acontecendo. Fiz a mamografia. O resultado foi um nódulo no nível 5. Em agosto fiz a cirurgia de retirada total da mama direita. Desde então, faço controle com mastologistas, oncologistas, psiquiatras, psicólogos e fisioterapeutas. Não foi fácil passar por tudo, mas uma força invisível me sustenta, não deixando que eu esmoreça. Tenho fé, muita fé em Deus e muita persistência. Agradeço a todos os profissionais que cuidaram de mim e que continuam cuidando.






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